Viramos Marketing?
- André Portugal
- 22 de jan. de 2019
- 2 min de leitura

Algumas pessoas são boas com números, outras têm dom musical, umas escrevem muito bem e outras são boas em se autopromover. O marketing pessoal ganhou tanto espaço na nossa vida nos últimos anos que já vivemos uma espécie de aceitação coletiva, deixou de ser parte apenas do ambiente empresarial e passou a ser algo comum, característico da nossa época.
Filtros, ângulos, textos políticos e confirmação de presença em eventos. Tudo isso, de forma aparentemente muito inocente, vai montando bem devagarinho uma projeção do que somos. Convenciono chamar essa reunião de atividades e registros públicos no nosso “eu” virtual. Você pode fingir que não dá importância, mas ele existe e chega às pessoas bem antes do nosso “eu” real já trabalhado e geralmente num formato muito mais agradável.
Isso traz à tona questões bem negativas. Algumas pessoas confundiram o meio com o fim, se viciaram em supervalorizar a imagem e se esqueceram de simplesmente ser. Outras, em mentir. Posso compartilhar textos contra a corrupção, passar uma imagem super correta, mas sonegar até minha alma por aí sem ninguém saber. Você bem deve conhecer alguns mal caráteres num formato “cool”, ou lindos sorrisos que no fim das contas não conseguem falar mais de cinco minutos sobre nenhum assunto.
Como ser imune a esse tipo de falsas impressões dirigidas?
Não tenho a resposta, mas acho que a saída está apenas em colocar as coisas nos seus devidos lugares de importância e não tomar tantas conclusões precipitadas. Um cara incrível pode postar uma foto na academia que você vai achar cafona, outro pode escalar uma montanha no Tibet, usar o Facebook só pra postar arte, sequer ter Facebook, frequentar festas alternativas, não frequentar nada e ser um completo babaca com o ego do tamanho de uma carreta. Se apaixonou em duas semanas? Pense de novo, sonde uns amigos, você pode estar nas mãos de um marqueteiro de primeira.
Não adianta estamos mergulhados em propaganda. Mesmo sem querer, todos os dias o mundo vai te perguntar quem você é, e você vai acabar respondendo de alguma maneira. Legal é quando a resposta é sincera e há orgulho do produto original.
Lidar com a projeção dos outros também vai ser inevitável, a realidade é essa. Um mundo mais complexo traz a necessidade de uma percepção mais complexa. Ingenuidade e ansiedade vão te fazer comprar gato por lebre. Espere mais um tempo antes de achar que admira alguém; que tal? Mas não espere ser à prova de erros. Somos marketing, sim, mas continuamos sendo de carne e osso. Se essas duas realidades estiverem mais ou menos alinhadas, não teremos grandes problemas.




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