Não sei ser meu novo eu
- André Portugal
- 4 de abr. de 2022
- 1 min de leitura

Mudar não é tarefa fácil, manter-se mudado também não. Às vezes, quando passamos a valorizar desejos mais autênticos e deixamos de seguir as correntes e marés ao nosso redor, precisamos readequar uma série de coisas “satélites” para esse novo lugar. São vários os alicerces invisíveis que escoram os antigos hábitos.
Vamos supor que você tenha desenvolvido novos princípios, algumas companhias e eventos podem deixar de fazer sentido. Por exemplo, aquele conhecido que deixava o ambiente “leve” com suas piadas pode tornar-se insuportável caso agora elas soem de mal gosto. De repente, aquele barzinho de domingo perde um pouco da magia.
Clarice Lispector já dava pistas sobre as angústias da mudança quando escreveu que “até cortar nossos defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.
Novas situações requerem novas ferramentas. Humor, sexo ou argumentos podem não funcionar da mesma forma nesse novo cenário. Mas isso nem sempre é ruim, um relacionamento saudável pode te fazer abrir mão de uma defesa que nem sabia que existia e abrir mão de uma defesa pode te abrir para novos relacionamentos.
A metamorfose tem efeitos ondulares e retorna feito eco. Estar ciente disso pode diminuir a ansiedade dos elementos surpresa e, quem sabe, ajudar a sustentar as etapas de estranhamento que surgem nesse tão importante processo




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